RAJA YOGA

Cuidando da Mente

por Ramesh Bijlani

… Rajayoga, operando com a mente, visa uma perfeição supranormal e uma ampliação das capacidades da vida mental e vai além, no domínio da existência espiritual.

Sri Aurobindo

Raja yoga, literalmente o caminho real do yoga, também é conhecido como yoga de Patanjali ou ashtanga yoga. Patanjali (século IV dC) condensou o conhecimento do yoga desde seu ponto de vista em seus 192 aforismos curtos, mas densamente compactados, comumente chamados de sutras. Nestes sutras, ele dividiu o yoga em oito membros, daí o nome ashtanga (ashta, oito; anga, componente) yoga (Yoga Sutras de Patanjali, 2:29). Yoga é um processo de autoaperfeiçoamento que afeta todas as partes do ser. As escolas especializadas de Yoga enfatizam o aprimoramento de uma ou outra dessas partes. Em contraste com o hatha yoga, que enfatiza o aprimoramento do corpo, o raja yoga se preocupa principalmente da melhora da mente.

Patanjali dividiu seus sutras em quatro seções. A primeira seção, samadhi, fala sobre concentração e seus usos. A segunda seção, sadhana, descreve o método pelo qual a turbulência da mente pode ser controlada e a concentração alcançada. A terceira seção, siddhi, descreve os poderes extraordinários aos quais o sadhana conduz. A seção final, kaivalya, trata da verdadeira liberdade que o yoga confere, que não pode ser alcançada se uma pessoa ficar tão apaixonada por seus poderes extraordinários que comece a usá-los e demonstrá-los. Os oito membros do yoga de Patanjali, nessa ordem, são: yama (restrições), niyama (regras), asana (posturas), pranayama (respiração conscientemente regulada), pratyahara (retirada sensorial), dharana (concentração), dhyana (contemplação), samādhi (superconsciência). Yamas e niyamas constituem o que uma pessoa deve ou não fazer no caminho do yoga. Os cinco yamas e os cinco niyamas são um código muito completo para a autopurificação. Os ramos do asana ao dhyana são um excelente guia para o processo e técnica da meditação. Eles incluem quase todas as estratégias que alguém já imaginou para aquietar a atividade superficial da mente. Samadhi é o produto da prática dos sete ramos anteriores. Samadhi é uma experiência espiritual de pico em que a consciência é muito mais elevada, mais profunda e mais ampla do que é comumente considerado normal. Um ponto a ser observado é que yamas e niyamas precedem os ramos que tratam das técnicas de yoga. O que isto implica é que é preciso iniciar o processo de se tornar uma pessoa melhor antes de recorrer a técnicas especializadas. Não adianta tentar construir o edifício dos asanas e da meditação sem estabelecer as bases dos yamas e niyamas; e certamente não se pode desfraldar a bandeira do samadhi antes que os alicerces tenham sido estabelecidos e o edifício construído. Contudo, os oito componentes de Patanjali são galhos, não pasos. Se os tratarmos como degraus, seria impossível subir ao segundo degrau antes de terminar o primeiro. Se assumirmos essa posição, dificilmente alguém estaria qualificado para ir para o terceiro ramo, que é asana, porque cultivar a perfeita observância de yamas e niyamas é em si uma tarefa que requer mais de uma vida. Portanto, o tratamento paralelo é permitido; deve-se começar com yamas e niyamas; E enquanto estiver neles, também se pode começar com técnicas especializadas como asanas, pranayamas e meditação.

Traduzido por NB Traduções.

(Ensaios relacionados: Ashtanga yoga, Consciência, Meditação, Niyamas, Patanjali, Yamas, Yoga)