ASPIRAÇÃO

Devo Ter-la

por Ramesh Bijlani

A aspiração não precisa ser na forma de pensamento – pode ser um sentimento interior que permanece mesmo quando a mente está atenta ao trabalho.

Sri Aurobindo

Uma aspiração nasce por algo que desejamos ser ou queremos ter. Uma aspiração, contudo, não é um desejo comum. Uma aspiração é por algo tão bom que querer ter-la não é apenas permitido e inofensivo, mas também desejável. Normalmente, os desejos são considerados, com razão, a causa raiz do sofrimento, conforme declarado pelo Senhor Buda há mais de 2.500 anos. Portanto, os desejos devem ser reduzidos ao mínimo. Mas uma aspiração nos dá uma razão para viver. Uma aspiração dá um propósito à nossa vida. Uma aspiração nos leva a uma existência melhor e mais significativa. Uma aspiração é um desejo desejável.

No contexto da vida espiritual, a aspiração não é uma ambição. Uma ambição é geralmente um objetivo material, por ex. tornar-se médico ou tornar-se milionário. Quando a ambição é alcançada, tem-se a opção de tratá-la como o destino final, ou como um marco no caminho para outra ambição. Uma aspiração espiritual não é material nem uma posição alcançada no decorrer de uma viagem. Uma aspiração é limitada à direção em que a viagem será realizada, à maneira como a viagem será realizada, ao veículo em que a viagem será realizada e assim por diante. A viagem pode ter um destino, mas essa não é a preocupação principal. A alegria está na busca, não no anseio pelo objetivo.

O que poderia ser uma aspiração? Um bom exemplo é a aspiração de autoaperfeiçoamento. Uma aspiração de autoaperfeiçoamento torna-se uma aspiração espiritual quando o destino é a união com o Divino. Podemos pensar que somos bons. Mas muito poucos de nós podemos realmente dizer que não é possível melhorar. Tornar-se melhor do que somos pode parecer uma aspiração muito simples. Sim, é simples, mas não é fácil. Como sempre há espaço para melhorias, o autoaperfeiçoamento é uma jornada para toda a vida. Depois de nos tornarmos um pouco melhores do que somos, descobrimos que é possível ser ainda melhores, e assim por diante. Portanto, o processo de autoaperfeiçoamento nunca chega realmente ao fim. A aspiração para o auto-aperfeiçoamento não é apenas perfeitamente compatível com a vida mundana; na verdade, é essencial para que a vida mundana seja feliz, saudável e gratificante. Não basta ser médico ou professor; deve-se ser um bom médico ou um bom professor. Um bom médico é um médico que também é uma boa pessoa; um bom professor é um professor que também é uma boa pessoa. Dito de forma «matemática»,

Um bom médico = Um médico + Uma boa pessoa

Um bom professor = Um professor + Uma boa pessoa

Se o bom médico ou o bom professor aspira ao autoaperfeiçoamento, ele se torna uma melhor pessoa. À medida que a boa pessoa se torna uma melhor pessoa, ela também se torna um melhor médico ou um melhor professor. Independentemente do tipo de trabalho que uma pessoa realiza, é apenas a pessoa que está numa jornada de auto-aperfeiçoamento ao longo da vida que encontra paz, alegria e realização na vida.

A aspiração é uma das três principais ferramentas do yoga integral de Sri Aurobindo e a Mãe: as outras duas são a rejeição e a entrega. Segundo Sri Aurobindo e a Mãe, a aspiração deve ser intensa, sincera e perseverante, mas não impaciente. O que se exige de nós é um esforço calmo e constante em direção à aspiração e a rejeição de tudo o que se interpõe no caminho da aspiração. O esforço mais simples e seguro em direção à aspiração é o trabalho que é feito como instrumento do Divino e depois oferecido ao Divino. Devem ser rejeitados os desejos, paixões, tentações e apegos que são inevitáveis na vida mundana, mas que obstruem o movimento em direção à aspiração. Tendo feito a nossa parte, o progresso espiritual pode ser deixado com alívio e prazer ao Divino, num espírito de doce entrega.

Traduzido por NB Traduções.

(Ensaios relacionados: Desejos, Yoga Integral, Rejeição, Entrega, Yoga)